Your Name (Análise) – Com SPOILERS

Narrativas sobre dois personagens que trocam de corpo já são conhecidas do grande público. Volta e meia aparece algo nesse sentido. Mas essa singela animação japonesa dirigida por Makoto Shinkai faz isso de uma maneira bem original.

Somos levados a conhecer a vida da jovem Mitsuha e do jovem Taki, que já aparecem inicialmente de corpos trocados, e, depois, vamos acompanhando um pouco do passado deles até chegar ali. A edição pode ser um pouco confusa no começo, mas depois vamos compreendendo tudo, através dos diálogos, alguns um pouco expositivos e outros nem tanto. O incrível trabalho de montagem torna o filme dinâmico, e alterna com rapidez entre a vida “trocada” dos dois, que mudam de corpos de tempos em tempos, algo inédito nesse tipo de narrativa – pelo menos, pra mim.

A narrativa é inteligente ao mostrar meios pelos quais os personagens se valem para registrar informações um para o outro, para que possam se encontrar futuramente – já que moram distantes um do outro – até nos depararmos com o fato de que um deles – Mitsuha – morreu há 3 anos, durante a queda de um cometa em sua cidade, Itomori. Ou seja, ao ir para o corpo de Mitsuha, não só Taki mudava de localidade, como de tempo.

Agora, tentar conhecer Mitsuha e o passado da misteriosa cidade que sucumbiu ao desastre, é uma questão de dever para Taki, que anseia por uma forma de influenciar o passado para que a população da cidade possa se salvar.

O filme conta com cenários soberbos e com um design de produção bem detalhado, com alguns elementos tridimensionais em um estilo que simula o 2D. A profusão de cores nas cenas urbanas, e a iluminação das cenas em paisagens naturais tornam o filme uma obra bela visualmente.

Os elementos do filme foram pensados para gerar o melhor contraste possível entre os dois protagonistas: corpo de homem vs corpo de mulher; vida urbana (Toquio) vs vida rural (Itomori); preocupações profissionais vs preocupações religiosas. A maneira como o misticismo influencia a interseção espaço-temporal dos personagens também é notória, tornando singular a temática apresentada, através de um contexto bem oriental.

Em tempos onde os principais estúdios de animação hollywoodianos produzem geralmente apenas animações em CGI, ver uma animação tradicional torna-se um deleite para os olhos. Sem o excesso de clichês visuais japoneses (e não digo clichê de maneira negativa), por vezes divertidos, o longa, de fato, é, essencialmente, um drama romântico, com tons de humor aqui e ali.

Com personagens secundários interessantes, o longa torna-se muito mais inteligente do que muitos filmes live-action por aí, sobre esse tema. Essa singela obra é a prova viva de que nem sempre uma premissa manjada significa um roteiro manjado. Sempre dá pra construir coisas interessantes em cima de conceitos já conhecidos. Tudo depende do olhar de quem conta a história.

Fábio Reis é graduado em Design Industrial

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