A lei seletiva de Gilmar

O ministro do STF, Gilmar Mendes, insiste em afrontar os brasileiros decentes e tentar obstruir o avanço da Lava Jato. Assim será até chegar o dia em que ministros que se julgam “deuses no Olimpo” perderem o direito ao superforo especialíssimo. Entretanto, se a Física Clássica estiver correta, e até agora as leis de Isaac Newton são incontestáveis, o fim do ministro será trágico. Toda vez que praticamos uma Ação, sofremos uma Reação de mesma intensidade e sentido contrário.

Gilmar Mendes deve se sentir orgulhoso com os atos que pratica, sempre em defesa dos corruptos. Para ele, que usa argumentos sem fundamentação moral, existe uma clara separação ente as leis: algumas delas devem servir aos poderosos; para os pobres, sobra o chicote da (in) justiça.

No caso do habeas corpus concedido a Adriana Ancelmo, em virtude de ter filhos menores de idade, argumento usado pelo ministro Gilmar, fico refletindo que outras 32 mil mulheres presas no Brasil em situação semelhante, também deveriam ser liberadas. Mas, no Brasil, o que serve para os poderosos, não serve para os pobres.

Adriana Ancelmo foi muito mais que dona de casa iludida pelo marido bandido e corrupto, que só descobriu as patifarias do chefe da família quando o a viatura da Polícia Federal chegou ao seu apartamento no Leblon. A mulher de Sérgio Cabral também foi muito mais que uma advogada sem futuro subitamente surpreendida com a promoção à primeira-dama do Rio e vitrine ambulante de joalheria e grifes. Adriana foi uma ativa quadrilheira que saqueou todos os cofres ao alcance do governador larápio.Pobre Rio de Janeiro.

Gilmar Mendes sabe disso, mas não toma jeito. Na última segunda-feira (18), o “Juiz dos Juízes” acionou sua usina de habeas corpus para devolver ao lar a quadrilheira engaiolada no mesmo presídio que abriga o maridão. Segundo o ministro da defesa de culpados de estimação, os filhos do casal fora-da-lei precisam dos cuidados da mãe. Nesse caso, deveria premiar com a liberdade as mais de 32 mil prisioneiras que só veem os órfãos de pais vivos em dia de visita à cadeia.

Agora, os filhos inocentes de Adriana Ancelmo precisam passar o tempo ouvindo a lengalenga da mãe que, como o pai, garante que nada fez de errado. É uma espécie de curso intensivo de cinismo e safadeza. Os jovens, assim como a mãe, não podem usar qualquer aparelho eletrônico. Vão ser condicionados a salivarem como criminosos, já diria Pavlov.

O dia do apocalipse para Gilmar está chegando …..

*Rosalvo Reis é professor de Física e jornalista

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