As bravatas da esquerda

Durante o impeachment de Dilma Rousseff, Lula animou os “convertidos” com a revelação de que as barracas de lona preta do MST abrigavam guerreiros adestrados pelo comandante João Pedro Stedile, todos prontos para o início do combate. “Quero paz e democracia, mas eles não querem”, berrou o palanque ambulante. “E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele na rua”. Passados três anos, as ruas do Brasil não viram em ação um único e escasso soldado desse colosso beligerante.

De lá para cá, Lula foi levado coercitivamente para depor no Aeroporto de Congonhas, tornou-se réu em meia dúzia de processos, engoliu dois interrogatórios conduzidos pelo juiz Sérgio Moro e “tomou no lombo” em segunda instância 12 anos e 1 mês de cadeia. “Não nos renderemos!”, fantasiou Stédile. O comandante do MST se acovardou e não foi além de disparos retóricos. Se tivesse bala na agulha, o falastrão mobilizaria algum destacamento para impedir, na quinta-feira. 25/1, que a Justiça Federal confiscasse o passaporte de Lula, de malas prontas para voar rumo à Etiópia disfarçado de perseguido político. Nada aconteceu. E nada vai acontecer quando for decretada a prisão do ex-presidente condenado por corrupção e lavagem de dinheiro. A suposta esquerda brasileira é “frouxa”.

A pregação de desobediência civil do PT, PCdoB e Psol, longe de fechar questão em defesa de Lula, tem base na economia e medo da rejeição aos partidos de esquerda nas eleições de 2018. Depois da condenação de Lula, a bolsa não para de bater recordes. Já subiu mais de 6% com a expectativa de que a corrida eleitoral tem muito menos risco de provocar uma paralisação da reação da economia. O PT quer registrar Lula e o TSE vai impugnar a candidatura, enfraquecendo outras candidaturas de esquerda. Assim, a chance de uma candidatura de centro-direita, mais comprometida com a estabilidade, ganha força e deve vencer as eleições.

A radicalização de Lindbergh, Gleisi Hoffmann e Cia. está apenas tentando diminuir o tamanho da própria cova. Se resume a corolário do nervosismo, pois o condenado em segunda instância pelo TRF-4, deve sofrer mais duas derrotas em breve e arrastando a autointitulada esquerda para a “morte” política. Inflamar as massas menos esclarecidas e as mais fanáticas com propostas extremadas parece ter sido a escolha das lideranças petistas para que o partido não saia humilhado das urnas em 2018. Dos atuais 57 deputados federais, o PT pode emergir das urnas com um número não superior a 30. Será humilhante.

*Rosalvo Reis é editor do Portal Roteiro de Notícias

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *