Professores humilhados

Os professores amazonenses estão “mendigando” um salário que, mesmo que fosse concedido, ficaria abaixo do soldo de um soldado da Polícia Militar. É uma vergonha! Os administradores só “concedem” reajustes sob pressão. E eles temem o poder de mobilização dos militares. Estes também merecem receber uma remuneração digna, mas os professores também precisam ser valorizados.

O desprezo dos “imperadores” políticos com os profissionais do magistério cheira a podridão. Sem representatividade, os professores não conseguem se organizar para fazer as reivindicações.

Se os detentores do poder político tivessem interesse no implemento de uma política salarial para o magistério, reduziria o repasse aos Tribunais, à Assembleia Legislativa e diminuiria drasticamente o número de “apadrinhados” no setor público.

Como pode um governador indicar um secretário sem qualquer compromisso com a categoria? Indicação política para a Secretaria de Educação é uma agressão à categoria. Remunerar juízes e promotores com valores mais de 10 vezes aos pagos aos professores, é uma “bofetada” no professor.

Quem pensa a política de ensino no Amazonas? Estão mais preocupados em discutir gêneros do que implementar uma política que propague desenvolvimento.

Quem pensa o ensino no Amazonas? Os gestores estão mais preocupados em defender a bandeira política comunista de um analfabeto, quando deveriam difundir conhecimento transformador.

Como esperar bons resultados se a cúpula do Estado está recheada de cérebros vazios? Os críticos falam, mas eles não escutam, porque o som não se propaga no vácuo.

Estou a lembrar de um encontro entre a chanceler alemã Angela Merkel e os representantes do judiciário que reivindicavam equiparação com os salários do professor. Quando provocada, Angela Merkel simplesmente respondeu: Como posso pagar um salário igual, se os professores foram responsáveis por vossas formações? Silêncio total.

Vale ressaltar que Merkel estudou Física na Universidade de Leipzig e, como Doutora, trabalhou no Instituto Central de Físico-Química na Alemanha Oriental, onde viveu até a queda do Muro de Berlim, em 1989, quando houve a unificação das Alemanhas.

Se a Alemanha não lhe serve de exemplo, basta voltar o olhar para a Coreia do Sul. Na década de 60, o país asiático era uma das nações mais pobres do mundo, destroçada por uma guerra que destruiu 25% da riqueza nacional e matou 5% da população civil.

Atualmente, a Coreia do Sul tem um PIB per capita quase quatro vezes superior ao brasileiro (calculado pela paridade do poder de compra) e uma economia impulsionada pela alta tecnologia.

A base de processo de crescimento foi o investimento em educação realizado pelo país desde os anos 60. Um estudo revelador da economista Irma Adelman, da Universidade Berkeley, que analisa o desenvolvimento coreano de 1953 a 1993. No período de 1953, quando termina a guerra da Coreia, a 1961, houve pesados investimentos em educação, que reduziram o analfabetismo de 70% para 20%.

Entre 1961 e 1966, a quantidade de alunos matriculados no ensino primário e secundário cresceu 30%, enquanto o número de estudantes universitários dobrou.

De acordo com Adelman, em 1966 a Coreia atingiu a educação primária universal e tinha um índice de pessoas em universidades superior ao da Inglaterra. Conquistada a universalidade na educação primária, o país experimentou na etapa seguinte (1967-1971) o aumento de 28% da quantidade de estudantes no secundário e de 20% nas universidades. A prioridade dada ao ensino primário e secundário teve um efeito igualitário na sociedade coreana, na avaliação de Adelman.

Advinhem qual o exemplo contrário que ela cita no estudo? Sim, o Brasil. A estratégia coreana “contrastou com a do Brasil, por exemplo, onde o ensino secundário era restrito à elite e suficiente apenas para alimentar as matrículas nas universidades”. A situação do país da corrupção e dos conchavos mudou desde que ela escreveu o estudo, mas a educação ainda está longe do grau de penetração que tem na sociedade sul-coreana.

Na etapa seguinte, de 1973 a 1981, o Estado definiu seis setores estratégicos, que passaram a receber incentivos para seu desenvolvimento: produção de aço, indústria naval, eletrônicos, máquinas, petroquímico e metais não-ferrosos. A realidade atual da economia sul-coreana reflete em grande parte as escolhas feitas naquela época. O país é o maior fabricante de navios do mundo, o sexto produtor de aço e possui um setor eletrônico que está entre os mais inovadores do planeta.

É possível perceber que todo o desenvolvimento econômico da Coreia do Sul tem base no investimento em várias especialidades da Engenharia. O Brasil, entretanto, insiste no movimento retardado.
Enquanto a Coreia forma engenheiros e professores, o Brasil forma advogados. Ponto Final !!!

*Yanna Bach é professora aposentada

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