Seita religiosa mantinha 565 escravos

Uma operação do Ministério do Trabalho e a Polícia Federal identificou 565 pessoas que eram submetidas a condições semelhantes à da escravatura em fazendas propriedade de uma seita religiosa, conhecida como “Comunidade Evangélica Jesus, a Verdade que Marca”.

A operação permitiu detectar outras 438 pessoas que trabalhavam sem contrato formal e 32 menores que estavam a fazer tarefas proibidas.

A ação de fiscalização foi realizada na quinta-feira em simultâneo em 15 diferentes municípios dos estados de São Paulo, Minas Gerais e Bahia.

Na operação foram cumpridos 22 mandados de prisão preventiva, 17 interdições de estabelecimentos comerciais e 42 mandados de busca e apreensão, culminando na prisão preventiva de 13 dirigentes da seita, sendo que outros estão em fuga.

O portal adianta, citando um comunicado do Ministério do Trabalho brasileiro, que os trabalhadores teriam sido “aliciados” por dirigentes da seita religiosa, em São Paulo, e convencidos a doar os bens para as associações controladas pela organização, tendo de mudar-se para uma comunidade, onde todos os bens móveis e imóveis seriam compartilhados.

Após entrar na seita religiosa as pessoas eram levadas para zonas rurais e urbanas naqueles três estados brasileiros, para trabalhar na agricultura, estabelecimentos comerciais, como oficinas mecânicas, postos de gasolina ou pastelarias, todos supervisionados pelos líderes da seita.

O G1 acrescenta que a investigação começou em 2013, ano em que a seita já utilizava mão-de-obra escrava, tendo sido identificadas então 348 vítimas.

“Em todas ações de combate ao trabalho escravo, quando chega a Polícia Federal, o Ministério Público Federal e do Trabalho, as vítimas aderem e querem ser retiradas dessa situação. O caso da seita é incomum, porque as pessoas eram doutrinadas por aspetos religiosos e receberam-nos como se fôssemos o demónio”, afirmou o auditor-fiscal do Trabalho Marcelo Campos, que coordenou a operação de quinta-feira.

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